Foram muitos anos desejando ser livre, ser eu mesma, decidir o que queria fazer e não estar sendo freada ou ajustando meus planos por causa desta característica.
Sei que isso me fez muito mal, me tornei retraída, aumentou o medo que tinha, fez com que me sentisse cada vez menor e mais desajustada. Muitas mulheres sabem do que estou falando, de como a timidez chega devagarinho e parece que vai ganhando espaço pouco a pouco na nossa vida, até o ponto em que nos sentimos reféns dela. Só fazemos o que ela nos permite e isso geralmente vai diminuindo à medida que ela vai ganhando espaço em nós.
Como entregamos tanto poder a um sentimento ao ponto de nos tornarmos escravas dele? É a pergunta que me fiz um tempo atrás, quando comecei a usar a minha inteligência e passei a desejar a minha liberdade. Eu não tenho uma natureza introvertida, ao contrário, sou muito extrovertida e sempre fora assim. Mas em um momento da minha vida, isso mudou, devagar e sem que eu prestasse atenção no que estava acontecendo.
Por um momento, me senti protegida e tive uma pequena sensação de bem-estar; mas, depois de alguns anos, me senti presa, algemada pela timidez. Já não me sentia bem, pelo contrário, somente perdia à medida que ela se instalava e crescia cada vez mais em mim. Perdi minha autoestima, minha coragem e minhas iniciativas.
Tudo o que desejava parecia estar tão longe e eu queria tanto alcançar, queria tanto fazer, queria tanto falar, queria tanto ser eu mesma, mas não conseguia, só ficava no querer…
Eu obedecia e não sabia nem conseguia enfrentar minha rival, não conseguia falar “não” para ela, que era imensa aos meus olhos e tinha um poder enorme sobre mim. Eu me sentia cada vez menor, não via outra opção a não ser fazer somente o que ela me dizia ou me permitia fazer.
Os meus passos, sorriso, diálogos e iniciativas ficavam à mercê dela, o que me levava a sentir-me horrível, pequena e incapaz. Isso mudou e finalmente consegui minha liberdade; não foi uma tarefa fácil, mas consegui retomar o controle das minhas emoções. A timidez se foi depois de muito tempo! É maravilhoso ser eu novamente, voltar a decidir por mim mesma, falar com quem tenho vontade, deixar de sorrir internamente e lamentar todos os dias em que não falei, não fiz, não abracei, não expressei meu carinho, etc.
A partir de hoje, estarei contando essa minha jornada contra a minha arqui-inimiga.
Magali Silva